Barroso

“Mais um, para vocês. Este, admito, tem mais fatos que ficção, mas a linha, como sempre, é tênue.” – (O Não Autor)^(-1)

Quão baixo iria alguém para estabelecer uma imagem de superioridade, mesmo que tais atos levassem ao ridículo da admissão pública de pequenas verdades constrangedoras, porém cômicas? Todos têm, é claro, seus limites, mas os de algumas pessoas, em especial de uma certa moça espalhafatosa de voz estridente, beiravam ao grotesco.

Esta mesma, cujo nome não é do interesse de ninguém, em certa feita estava reunida com algumas amigas num lugar público, estando acompanhada de sua mãe, e tagarelava com as outras sobre frivolidades usuais que afloram após um almoço farto, num volume que passara de comparável a um burburinho baixo, alcançando algo semelhante à algazarra de uma revoada de araras.

Em dado momento, uma das falantes, aquela que mais se banhara em gula durante a refeição, reclamara do estômago, relatando às colegas que o sentia se revirar. Sem conseguir conter a imensurável língua, já foi a famigerada moça atalhando diagnósticos e recomendando práticas que, conforme assegurara, curariam a gulosa.

Tais dicas foram logo refutadas, e prontamente justificadas de uma ressequidão intestinal de longa data, que flagelaria a comilona por alguns dias, até que conseguisse se libertar do novo peso, mas que logo estaria melhor: bastava ser paciente. Tal assertiva, porém, apenas incitou a outra, que soltou, sem nem pensar duas vezes:

– Lá em casa, todas são ressecadas: minha mãe é ressecada, minha avó é ressecada, minha irmã, então? Nem se fala. Mas não eu, Ha! Ha! Ha!. Quando encontro um vaso sanitário, sai de baixo, que é preciso chamar um encanador para consertar o estrago!

Tão alto quanto as risadas incrédulas das outras moças (e das pessoas em volta, subitamente interessadas na conversa) que se seguiram fora o som do tapa certeiro dado na face arrogante da cagona inveterada.

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